Filmes

 

A equipe Psicoblog indica para seus visitantes alguns filmes relacionados à Psicologia. Seguem algumas dicas:

  • DESEJO e Reparação. Direção: Joe Wright. República da Irlanda, Reino Unido. 2007. 130 min.
  • Filme indicado pelo professor Fernando Dório Anastácio - disciplina Teoria Humanista Existencial Fenomenológica - 2° período de Psicologia.

A seguir alguns comentários, realizados pelo graduando, com enfoque na aborgadem Existencial Fenomenológica.

O filme, Desejo e Reparação de Joe Wright, é ambientado na Inglaterra em 1935 e retrata o romance que envolve os membros da família Tallis, tradicional da época. O título original do filme, ”Atonement”, significa ”expiação” traduzido para o português, termo bíblico que nos remete a idéia de urgência em se reparar os deslizes cometidos durante a vida.

A protagonista, Briony Tallis pensa ter visto cenas que, a partir de sua interpretação e conclusão, irão incriminar Robbie Turner, filho da governanta da família, mudando o percursso da vida dele e de várias outras pessoas incluindo a sua própria.

O recurso do jogo de câmera alternando as cenas transmite a idéia de duas perspectivas:

  1. O fenômeno observado por Briony - sua percepção a partir da cena observada - o processo de intuição, o ato pelo qual a pessoa apreende imediatamente o conhecimento de alguma coisa com que se depara sem ter a clareza dos fatos.
  2. E o real – o fato como aconteceu, sem impressões ou interpretações pessoais.

Percebemos ainda no decorrer do filme, a frequente presença da redução fenomenológica, ou seja, a restrição do conhecimento ao fenômeno da experiência de consciência - a visão do mundo que o indivíduo tem, desconsiderando o mundo real.

Identificam-se, basicamente, três fases marcantes no filme que coincidem com as variações da idade de Briony, menina, jovem e idosa.

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  • ARNDT, Stefan; MÉNÉGOZ, Margaret; HANEKE, Michael.  Amor. Produção de Stefan Arndt e Margaret Ménégoz, direção de Michael Haneke. França, 2012. Filme on-line, 127min. Colorido. Disponível em: . Acesso em: 18, março, 2013.
  • Filme indicado pelo professor Geraldo Majela Martins - disciplina Clínica Psicanalítica I - 4° período de Psicologia.

A seguir alguns comentários, realizados pelos graduandos, com enfoque na Psicanálise.

O filme retrata a linha ténue entre a vida e a morte, a saúde e o adoecimento, a precariedade e a fragilidade do ser humano frente à doença. O conflito de Anne em querer recordar e, ao mesmo tempo não esquecer memórias e experiências vividas à medida que sente a morte se aproximando.

Segundo KONDER (1936, p.119), “o amor, em especial, passava a exigir a participação efetiva dos sujeitos diferentes, movendo-se dos dois lados; ele passava a exigir o espaço necessário para que cada sujeito pudesse fazer suas opções, tomar suas iniciativas”. Podemos comprovar esse trecho no momento que Anne solicita a Georges que não a interne no hospital e ele mesmo não concordando, acata seu pedido fornecendo-a todos os cuidados necessários, dispensando o cuidado de profissionais e contrariando a vontade de sua filha. E, ao final do filme, o ato de Georges ao sufocar Anne também pode ser entendido como o acatar a súplica da esposa e, ao mesmo, a sua própria súplica, a de se negar em permanecer na dor e no sofrimento de Anne.

O filme explicita a dor de Georges ao ver sua esposa nesse processo de adoecimento e o seu sofrimento de está perdendo suas memórias, suas vivências juntamente com ela. Em contrapartida, aborda como o amor, em uma de suas múltiplas facetas, e a cumplicidade podem superar os obstáculos da doença e estarem presentes nesse percurso da doença até a morte. Retrata o amor sublime, o amor não carnal que resistiu ao tempo, às limitações da carne e da idade, o amor incondicional, capaz de sofrer e padecer junto com o outro. Segundo MORIN (1921, p.19), “a união na separação ou a separação na união é justamente o que vai caracterizar o amor, não mais entre mãe e progenitura, mas entre homem e mulher”. O companheirismo de Georges nesse processo de adoecimento de Anne caracteriza a união desse casal no momento de separação que será a morte, porém a própria condição de morte já caracteriza a separação da união do casal, separação esta que será desfeita no final do filme quando Georges se une a Anne novamente através da morte do casal.

Observamos ainda, a retratação do amor sujeito, o amor violento e egoísta, que nos assusta e nos choca. Georges dedica sua vida a Anne, como se sua vida dependesse dela, o que fica explícito no final do filme, um final que nos leva a refletir do que o amor é capaz de fazer, tanto em nome de quem se ama, colocando um fim na dor e no sofrimento de quem se ama, quanto em nome de si mesmo, eliminando a angústia de compartilhar da dor e do sofrimento de quem se ama. Segundo MORIN (1921, p.23), “o amor, mesmo que decorrente de um desenvolvimento cultural e social, não obedece à ordem social: quando aparece, ignora barreiras, despedaça-se nelas ou simplesmente as rompe”. Podemos comprovar esse trecho no final do filme quando Georges sufoca Anne levando-a a morte, ou seja, ele rompe com a barreira social do “deixar-se adoecer-se” para permitir que o amor se expresse, pondo um fim nesse sofrimento e garantindo, novamente, a união desses amantes.